8/09/2007

Velha vida. Vida nova

As 13h da tarde de uma quarta-feira cheguei ao SESC da Água Verde. Dia de baile para a terceira idade. Entrei na recepção e fui atendida pela simpática moça que usava uma sombra verde-clara nos olhos, “gostaria de falar com o Evaldo”, disse. “Ele está ali atrás, só sair e virar a direita” respondeu.
O Evaldo tem uns 60 anos, é alto, dono de cabeleira cor de cobre, usava uma camisa verde sob uma gravata ilustrada com desenhos do Mikey. Uma figura. Abordei-o desprevenido “O senhor é o Evaldo?”, “Eu mesmo! Em que posso ajudar, moça bonita” respondeu, “Vim fazer uma divulgação no baile – e apontei para o salão, onde deduzi que seria o baile, pelo som que acabara de começar -... onde posso ficar?” indaguei, “Hum, divulgação? Não estou sabendo, aguarde um minuto que vou verificar isso. Pode sentar ali que já volto”.
Obedeci a ordem e me encaminhei até a mesa, ao lado de fora do salão. A essa altura já se escutava o bolero saindo pela porta. Algumas pessoas chegavam, apesar de não ser o horário. Senhoras com cabelo laquê, usando suas melhores roupas, algumas acompanhadas por senhores, outras por amigas (idosas também), estampando sorrisos entre as muitas rugas na cara. A impressão foi de que todas aquelas “moças” (como Evaldo as chama) tinham passado a manhã inteira em um salão, assim como as debutantes no grande dia.

Seu Evaldo veio até mim, sustentando o sorriso largo, “Pode entrar”. Mostrou-me o lugar onde eu ficaria. Num canto, logo depois da porta de entrada. Montei o tripé, instalei o banner e me dispus ao lado segurando os folders. Fiquei ali observando os alguns pares que já arriscavam alguns passos na pista, as “moças” que conversavam alegremente, esperando alguém tira-las para o bolero. Enquanto isso Evaldo conversava com uma senhora baixinha “Essa é nossa poetisa!” demorei a perceber que havia falado comigo, olhei em sua direção e sorri pra compensar minha falta de assunto “Ah é? Que bacana. Poesia é?...”, a pequena criatura, de cabelo chanel se aproximou, olhou nos meus olhos e disse “É assim, uma coisa que rima... rima sem sentido, rima sentida, assim, por exemplo – olhou para fora do salão, como se buscasse algum tipo de inspiração - “Sua beleza é uma realeza” não fiquei tão impressionada quanto transpareci “Obrigada... que legal que a senhora escreve, faz tempo?” pergunta ingrata “Ah, faz muito tempo, tanto que nem sei” e seu olhar aparentou uma discreta carência.

continua

6/05/2007

Vamos celebrar a desonestidade escancara...

E com bera, por favor!

Como se não faltassem motivos para chorar, ainda nos aprontam mais uma. O problema é dos ingênuos que insistem em ser otimistas ou dos otimistas ingênuos? O que aconteceu com “isso é feio e errado” que nossas mães nos diziam quando mexíamos no que não era nosso? Sim...Mais perguntas ingênuas.
O problema não está em quem ainda acredita na honestidade, na ética e na cidadania e sim em quem continua desobedecendo às ordens da mamãe.
Foram mexer no que não lhe pertenciam, colocaram a mão suja na NOSSA liberdade de escolher, no NOSSO meio de mudança, na NOSSA casa.
Essa sim é a pior das ingenuidades, essa que se transformou em ignorância e disseminou-se onde ela jamais deveria aparecer, na nossa Universidade. Pois é, a ignorância é um prato que se come frio e o gosto não é nada bom. Mas, continuaremos com nossa ingenuidade, acreditando que é possível mudar, evoluir, progredir e reconstruir.
Não nos importamos com a imundice que encontramos no caminho, ela nos fortalece e nos dá mais força para alcançar nossos objetivos, que juntos remetem a um só: o bem coletivo. É difícil demais pensar em alguém que não seja você mesmo, não é?
Continuaremos com nossa ingenuidade otimista, pregando a liberdade, igualdade e fraternidade. Ah! Nossa ingenuidade termina na crença de que ainda há pessoas que não tenham como exemplo de boas maneiras alguns muitos porcos-sem-caráter que enfeitam gabinetes por aí.
Nós sabemos exatamente quem somos e o que queremos. Dessa ingenuidade não sofremos. Somos a ação no presente, a representação no futuro, o transporte de informação. Somo a voz do povo e nem por isso nos dignamos em fazer papel de Deus e interferir no destino das coisas.
Enfim, vamos continuar com nossa ingenuidade otimista, porém honesta. Porque, assim, seguimos lutando por conquistas e não roubando por vitórias.

Eveline Pickler, 2ºperíodo, jornalismo