3/03/2007

uma luz, dentro do ônibus

Sexta-feira é, já por naturaza, um dia atípico. As pessoas ficam mais bonitas, alegres, anciosas, na expectativa. A minha, é claro, não pode ser diferente. Minha sexta se consisite em assistir as aulas de sociologia e filosofia e depois ir pro bar. Ééé...
Ontem, porém, não fui pro bar. Simplismente porquê não poderia digerir todas as informações didáticas tomando uma cerveja. Fiz isso, nas 1h e 15min, que fico no ônibus à caminho de casa.
Na aula de sociologia, aquelas mesmas coisas de sempre: o homem, a política, a desigualdade, a solução, a burocracia...E o sono vem "frouxo". Mas especialmente nessa sexta, ele não veio, pra mim pelo menos. Quis entender tudo isso. Quero entender o homem e porquê, oras, ele é tão maldito, em relação à sociedade. Maldição, é isso que nós somos, levando em consideração que em toda sociologia a história é imprescindível e ao estudar ela é essa conclusão que tiramos de nós mesmos. Enfim, a primeira aula acaba.
Segunda aula, filosofia. O mestre Ivo entra na sala. E lembro a primeira vez que entou, usando o inseparável chapeuzinho. A Marina: Como será o nome dele? Jamal, eu disse. As risadas se estenderam. Andar manso, não mais, que a fala. Usa um tipo de chapéuzinho, mais parecido com um gorro, sempre com motivos africanos. O branco dos olhos tomados por um vermelho-rosado, atrás do óculos. A Viridiana, sempre com comentários explêndidos, olha pra mim: "Acho que ele fumou um!". Se fumou ou não a sabedoria é a mesma. O Ivo é professor novo, pra nós. Sua aula é um misto de informações que ele tenda organizar no powerpoint. Segue uma linha de pensamento, que olhe só é não-linear! Mas que mesmo assim, ao final da aula é de emocionar. A gente entendeu! E isso, confesso, é uma vitória.
Nessa aula dicutimos o homem. O que é o homem? Quais suas necessidades? E ele, como sempre, com um discurso, cheio de interrupções, hora pra lembrar um exemplo prático, hora pra fazer um comentário que, raramente, não tira gargalhadas da platéia. Ele tem o poder de nos fazer pensar, é iluminado, por assim dizer. Dono de uma simplicidade e humildade, que mesmo quem não dá a mínima para o assunto, presta atenção, meio que por dó, acho eu! A aula se sexta foi especialmente especial, se me permite a redundância. O Jamal, ops, o Ivo merece.
Pra ilustrar minha sexta e pra resumir tudo isso, um vídeo, um site, vários homens que merecem nossa atenção. A Repórter Brasil, tem tomado boa parte da meu tempo nesses últimos dias. Pessoas como as dessa ong, merecem muito mais. E muito, muito mais merece o assunto que eles abordam, a escravidão existente, ainda hoje, no Brasil.
Pessoas, assim, como o mestre Ivo e os mestres da ong, não são raras, como pensamos. Estão espalhadas por aí, cada um com sua maneira de tentar melhorar o mundo. O espaço é mínimo e os refletores não estão apontados pra elas.
Bom, eu prefiro uma luzinha baixa que clareie do que um refletor, que me cega os olhos.